domingo, 28 de novembro de 2010

Filhote

Chegou mais um dia. Muito especial. Há nove anos, dia tão aguardado e até hoje muito festejado. A carinha dele é a mesma até hoje: carinha de anjo. Quando dorme, ainda apóia a mão no rosto e trás ainda mais lembranças de quando era um bebê. Meu querido! Como cresceu! Preciso amadurecer muito ainda, pois não consigo pensar na possibilidade de me separar dele. Dói só de pensar. Sofro. Esse sofrimento me faz pensar no que meus pais sentiram quando eu e meus irmãos saímos de casa. Como eles suportaram? Ou não suportaram?
Quando ele for, vou continuar aqui no ninho. Ninho vazio...
Vai, meu passarinho, vai com Deus para o mundo! O Senhor vai saber confortar o coração da sua mãe. Feliz aniversário, filhote!

Fernanda Andrade Pessoa

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BBB da vida real


Enquanto tomo café da manhã, acordo meu filho, ajudo a se arrumar para o colégio, lembro das vitaminas dele, preparo o almoço, tomo banho, escovo o cabelo, mando um e-mail, faço uma ligação, leio um um livro, decoro um texto, almoço com a família, levo meu filho pra escola, crio algo novo, rezo, arrumo uma baguncinha na casa, assisto ao telejornal, desvendo a psiquê de um personagem de Nelson Rodrigues, faço um filme, assisto aulas de Análise Dramatúrgica, ensaio uma cena de Hamlet com uma colega de sala, fico no trânsito de São Paulo, faço as unhas, preparo o jantar da família, estudo geometria com meu filho, faço compras no supermercado, converso pelo MSN com meu pai, mando um scrap para uma amiga, coloco o Mu pra dormir, curto meu marido, assisto a um filme... minha vizinha está preocupada com o barulho que eu faço no meu apartamento. Ela deve ficar esperando a hora que um de nós três vai levantar e colocar os pés no chão. Às vezes tenho a impressão de estar sendo assistida o tempo todo, como em um reality show. Se ela soubesse o sabor de viver não ficaria só assistindo. Tem gente que passa a vida toda assim: vivendo a vida dos outros. Então, o que eu posso dizer é (literalmente): vá viver a sua vida!

Fernanda Berton

Sophia e eu

  
 










segunda-feira, 15 de março de 2010

Que seja eterno enquanto dure!


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: - 'Ah, terminei o namoro... '- 'Nossa, quanto tempo?'- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'- E não deu...? Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro,recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seupensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo ruim é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?
Arnaldo Jabor





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pra você

 ..."E um dia, se eu tivesse cortado minha orelha num ritual feito com toda minha sinceridade, assim como fez Van Gogh, a enviaria a você como uma evidência do meu amor, como um sagrado sacrifício para uma deusa. Se eu mexesse todas as lixeiras da cidade com esperança teria, talvez ,encontrado algo seu. Queria subir ao ponto mais alto da cidade durante o pôr do sol, olhar as luzes acesas sem piscar meus olhos, sabendo que uma dentre elas é você.
Quando eu ouvi sua voz, foi como se tivesse escutando a sinfonia 40 de Mozart. Se eu estivesse num navio, no meio do mar aberto e abaixo do céu que foi abandonado pelas estrelas, mesmo iluminado por uma luz fraca da lua, teria distinguido seu cheiro dentre os cheiros do mar nauseante, ao redor do navio.
Se nós tivéssemos escutando um concerto de violino de Mendelssohn, que é tão melancólico, eu e você teríamos sangrado por dentro".
Do livro “Amor e Solidão”, Erol Anar

Agora e na hora da nossa morte...

Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta. Isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.
Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.
Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento, os amores mal resolvidos, ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.
Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos "infantilizados".
Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos. Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, parceiro ou parceira, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído?
Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e morra!
Mas, não se esqueça de nascer melhor ainda!
José Alexandre Bassi