..."E um dia, se eu tivesse cortado minha orelha num ritual feito com toda minha sinceridade, assim como fez Van Gogh, a enviaria a você como uma evidência do meu amor, como um sagrado sacrifício para uma deusa. Se eu mexesse todas as lixeiras da cidade com esperança teria, talvez ,encontrado algo seu. Queria subir ao ponto mais alto da cidade durante o pôr do sol, olhar as luzes acesas sem piscar meus olhos, sabendo que uma dentre elas é você.
Quando eu ouvi sua voz, foi como se tivesse escutando a sinfonia 40 de Mozart. Se eu estivesse num navio, no meio do mar aberto e abaixo do céu que foi abandonado pelas estrelas, mesmo iluminado por uma luz fraca da lua, teria distinguido seu cheiro dentre os cheiros do mar nauseante, ao redor do navio.
Se nós tivéssemos escutando um concerto de violino de Mendelssohn, que é tão melancólico, eu e você teríamos sangrado por dentro".
Do livro “Amor e Solidão”, Erol Anar

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