quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pra você

 ..."E um dia, se eu tivesse cortado minha orelha num ritual feito com toda minha sinceridade, assim como fez Van Gogh, a enviaria a você como uma evidência do meu amor, como um sagrado sacrifício para uma deusa. Se eu mexesse todas as lixeiras da cidade com esperança teria, talvez ,encontrado algo seu. Queria subir ao ponto mais alto da cidade durante o pôr do sol, olhar as luzes acesas sem piscar meus olhos, sabendo que uma dentre elas é você.
Quando eu ouvi sua voz, foi como se tivesse escutando a sinfonia 40 de Mozart. Se eu estivesse num navio, no meio do mar aberto e abaixo do céu que foi abandonado pelas estrelas, mesmo iluminado por uma luz fraca da lua, teria distinguido seu cheiro dentre os cheiros do mar nauseante, ao redor do navio.
Se nós tivéssemos escutando um concerto de violino de Mendelssohn, que é tão melancólico, eu e você teríamos sangrado por dentro".
Do livro “Amor e Solidão”, Erol Anar

Agora e na hora da nossa morte...

Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.
Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta. Isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.
Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.
Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento, os amores mal resolvidos, ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.
Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos "infantilizados".
Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos. Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, parceiro ou parceira, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído?
Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e morra!
Mas, não se esqueça de nascer melhor ainda!
José Alexandre Bassi