Parece que foi ontem. Lembro-me de cada detalhe. Estava sentada em seu colo. Eu a abracei e disse que só de imaginar que um dia não estaríamos mais juntas, eu já ficava triste. Ela me consolou, dizendo que não era preciso pensar naquilo, tinhamos muito o que curtir ainda.
Desde pequena eu tinha aquela preocupação: saberia eu viver sem aquela criatura? Minha melhor amiga. Meu guia. Anjo da guarda.
Meu primeiro grito de desespero ao saber que ela havia partido, foi o de quem gostaria de ir junto com ela, por não saber se iria conseguir ficar sem. Mas quando dei por mim, lembrei que naquele momento EU era o porto seguro de uma outra pessoa, meu filho, que com quatro meses de vida, dependia totalmente da minha existência. Eu estava sendo pra ele o que ela sempre foi pra mim: tudo.
E foi assim que eu tive forças para continuar sem a sua presença física.
"E me lembro de você em dias assim: um dia de chuva, um dia de sol... Até a próxima vez" (Renato Russo - Love in the afternoon).
Fernanda Berton
Fernanda Berton

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