Há oito anos atrás, faltando 15 minutos para as oito horas da manhã, o sonho de menina, de brincar de boneca, se realizava. Essa boneca, aliás, boneco, recebeu o nome de Murilo. O nome que a mãe já queria colocar no filho antes mesmo de existir um pai. Mas ele tinha mesmo cara de Murilo. Cara de menino mesmo, não de joelho. Era o bebê mais fofo da maternidade, naquela manhã de dezembro. As enfermeiras brigavam para ver quem iria pegá-lo. Não me canso de contar essa parte da história para ele. Nos dias em que permanecemos no hospital, eu acordava cedo e já me preparava para recebe-lo para amamentar. Era uma espera gostosa, ansiosa. E amamentar é uma experiência mágica. Eu podendo alimentar um ser. O meu ser. O meu pequeno ser. Totalmente dependente de mim. Meu boneco. Só que dessa vez não dava mais pra tirar as pilhas e guardar na caixa quando não quisesse mais brincar.
Fernanda Berton
Fernanda Berton

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